segunda-feira, 8 de junho de 2015

OLARIA DE LOUÇA NEGRA - BISALHÃES


Quando via as peças de barro preto e ficava encantada com este artesanato típico, estava longe de pensar que este património único com cinco séculos de existência se poderá extinguir.  

Foto retirada de:http://www.nervir.pt/bisalhaes/

Em Bisalhães, perto de Vila Real, são feitas as peças pretas. Gosto em especial da cor, mas também da simplicidade da decoração geométrica e/ou vegetalista feitas, muitas vezes, com uma pedra do rio. 
 
Uma arte ancestral ameaçada pela falta de novos artesãos e que actualmente subsiste devido à persistência e paixão de experientes oleiros, quase todos com idades entre os 70 e os 80 anos. São estes cinco oleiros de Bisalhães que mantêm uma tradição que tem passado de geração em geração.
 
 
 
 
Em Bisalhães, aldeia transmontana, que deu o nome a esta olaria, estão os fornos  onde as  peças são colocadas. Depois uma camada de rama de pinheiro verde é colocada por cima das peças. A cozedura a elevadas temperaturas e  os vapores orgânicos libertados pela lenha resinosa dão a cor a estas peças.
 
                                                                                  
 
No dia 5 de Março, o Barro Preto de Bisalhães foi reconhecido como património cultural nacional, tendo sido inscrito no Inventário Nacional do Património Cultural e Imaterial. Esta arte tem ainda uma candidatura a Património Imaterial da UNESCO  cujo resultado será divulgado em Novembro de 2016.

                                                    Foto retirada de:http://www.nervir.pt/bisalhaes/
 
Boas razões para acreditar que, com estas iniciativas e com a realização de cursos de formação, se preserve esta arte que tem passado de geração em geração, de acordo com as técnicas ancestrais e características específicas, na lista do precioso artesanato português.

 

quarta-feira, 27 de maio de 2015

COMBOIO HISTÓRICO DA LINHA DO DOURO

 
 
Sempre gostei de viajar de comboio, mas uma viagem no comboio histórico do Douro é uma experência a não perder. Uma viagem que desafia o prazer de descobrir novos percursos, regressar ao passado e sentir a beleza do Douro, do rio que serpenteia as vinhas em socalco numa paisagem considerada Património Mundial da UNESCO.
 
  
 
 
 
Sim, gostaria de voltar a fazer este percurso encantador! Uma sugestão para as férias, para um fim de semana diferente. Quer experimentar?





Fotos: retiradas de diversos blogs e sites e de que se agradece a utilização das mesmas neste blog aos autores.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

MUSEU ABADE BAÇAL - BRAGANÇA

  


O ano passado conheci Bragança, em Trás-os-Montes, cidade acolhedora, plana, com um castelo com séculos de História com muito para contar.
 
Um dos pontos fortes da visita a uma região que tem vindo a ser esquecida, e com tanto para descobrir, foi o Museu Abade Baçal. A apresentação, a organização e as peças do museu são exemplares.  


  






















Sacerdote, etnólogo, etnógrafo e historiador, Francisco Manuel Alves, o Abade Baçal, conseguiu reunir e transmitir a identidade cultural dos transmontanos. A sua obra principal, Memórias Arqueológico-Históricas do Distrito de Bragança, é constituída por 11 volumes.

  
                                                                                                                





O Museu é uma homenagem ao legado de Abade Baçal, aos transmontanos e a uma região do interior que persiste na conservação dos costumes, saberes e tradições.

Do acervo do museu fazem parte peças de escultura, ourivesaria, numismática e peças do recheio do Paço Episcopal. Para os apreciadores de pintura, as  colecções de pintura com quadros de José Malhoa, Abel Salazar, desenhos de Almada Negreiros, são também uma motivo de visita. Valeu a pena!
 

 


sexta-feira, 15 de maio de 2015

DIA INTERNACIONAL DOS MUSEUS 2015



O Dia Internacional dos Museus, comemorado a 18 de maio, é subordinado, este ano, ao tema Museus para uma sociedade sustentável. Neste dia, a entrada nos Museus e Palácios da Direção-Geral do Património Cultural é gratuita!
 
Fachada do Palácio Nacional da AjudaFachada do Museu Grão Vasco
 
Dia 16 de maio, desfrute da Noite Europeia dos Museus! Uma experiência diferente e cativante!
 
 
 
 
Atividades muito variadas que se irão realizar em cerca de 70 museus oferecem uma realidade diferente de uma visita habitual com ambiente e horários pensados para a comemoração.
 
 
Fotos: DGPC
 
               

sexta-feira, 8 de maio de 2015

VILA VIÇOSA E FLORBELA ESPANCA


Um passeio pelo Alentejo num dia de Primavera radioso e de temperatura amena.
 
Uma paragem em Vila Viçosa e  um recanto do campo num canteiro, com papoilas e cheiro a terra.


 
 
Vila Viçosa, vila encantadora, terra natal de Florbela Espanca. Poetisa alentejana com poemas quase sempre em forma de soneto tem como temas o amor, a solidão, a tristeza,  a saudade, a morte, a sedução. 
 
A ligação apaixonada ao Alentejo ficou registada no soneto: "No meu Alentejo". 

 

"Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo. Ondeiam nos trigais
D’ouro fulvo, de leve... docemente...
As papoilas sangrentas, sensuais...

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros...
 
Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!"

 


   
   Este ano num evento da comemoração do Dia da Poesia, ouvi o poema que se segue. Perguntei de quem era e depois de pesquisar, encontrei a felicidade de Florbela Espanca...

Resultado de imagem para florbela espanca
 FELICIDADE











"Olhe que a única maneira de na vida ser feliz, principalmente os seres como você, de uma grande sensibilidade, de uma extraordinária imaginação, a única maneira é construir-se um lar bem doce, bem cheio de luz onde, longe do mundo, onde se possa amar, se possa trabalhar, se possa viver." Correspondência (1920)





 
 
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

CONÍMBRIGA


Discreta, não se fala dela com frequência, embora atraia cerca de 100 mil visitantes por ano, falamos das mais famosas ruínas romanas de Portugal: Conímbriga. 
 



Confesso que há muito tempo que não visito este tesouro arqueológico, perto de Coimbra, classificado como Monumento Nacional, mas é um programa apelativo.

Nesta estação arqueológica romana, destacam-se o Museu Monográfico de Conímbriga com artefactos encontrados nas escavações arqueológicas, a Casa dos Repuxos e uma admirável riqueza de pavimento de mosaicos.




                                                                       Foto: Museu Monográfico de Conímbriga


 


 
 
             





Ao passear por Conímbriga deparamos com uma exemplar conservação das ruínas que nos fazem viajar para um tempo remoto. O início de uma viagem de 700 anos de ocupação romana.
 
 
 
 
  





                        


                                                                                                            
                                                                                              
                                                                                                                              Foto: Museu Monográfico de Conímbriga

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PORTA Nº 18 - MONTEMOR-O-NOVO

Montemor situava-se inicialmente na parte interior da muralha do Castelo, original e primitiva  área da urbe.

D. Sancho I concedeu a Montemor o primeiro foral em 1203, e D. Manuel, em 1503. 
 
Na história de Montemor-o-Novo, destacam-se o combate à ocupação castelhana (1580 - 1640), a sua importância durante as invasões francesas (início do século XIX), e a visita de D. Maria II e D. Fernando II em 1843.

A resistência à ditadura e à luta pela liberdade e por melhores condições de vida conferem a Montemor-o-Novo uma posição de atividade e empenho pela causa.

O que pode visitar e ver em Montemor-o-Novo? Os painéis de azulejos que retratam cenas da vida agrícola nas paredes exteriores do Mercado Municipal e o Museu de Arqueologia Igreja Matriz (século. XVII – XVIII). Aprecie o encantador fresco original que reveste a abóbada da nave, o Cine-Teatro Curvo Semedo, o Monumento ao Resistente Anti-Fascista. A Igreja do Calvário diferencia-se pelas paredes e abóbada inteiramente revestidas de azulejos.
 
No Castelo, rosto emblemático da cidade pela sua  apreciável riqueza patrimonial, está localizado  o Centro Interpretativo  do Castelo na Igreja de Santiago e as Ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo (ex-Matriz).
 
 
No campo artístico Montemor  tem contribuido para a divulgação das artes performativas e contemporâneas com espectáculos nas áreas, entre outras, da dança e teatro.
 
  
 
 
Belchior Manuel Curvo Semedo Torres de Sequeira nasceu em Montemor-o-Novo em 1766. 






Poeta português que integrou o movimento Nova Arcádia, também conhecido como Arcádia Olissiponense, reputada academia literária do século XVIII que defende, em particular, a simplicidade da linguagem. Curvo Semedo assume na Arcádia o nome de  Belmiro Transtagano.


Autor de diversos livros, destacam-se os quatro volumes das Composições Poéticas e a  tradução de fábulas de Jean de La Fontaine.
      
                            
 
A LEBRE E A TARTARUGA
       (Fábula)


 
            «Apostemos, disse à lebre
      A tartaruga matreira,
            Que eu chego primeiro ao alvo
         Do que tu, que és tão ligeira!»


         Dado o sinal da partida,
        Estando as duas a par,
      A tartaruga começa
             Lentamente a caminhar.

A lebre tendo vergonha
De correr diante dela,
Tratando uma tal vitória
De peta ou de bagatela,


Deita-se, e dorme o seu pouco;
                         Ergue-se, e põe-se a observar
De que parte corre o vento,
E depois entra a pastar;

Eis deita uma vista de olhos
Sobre a caminhante sorna,
Inda a vê longe da meta,
E a pastar de novo torna.

Olha; e depois que a vê perto,
Começa a sua carreira;
Mas então apressa os passos
A tartaruga matreira.

À meta chega primeiro,
Apanha o prémio apressada,
Pregando à lebre vencida
Uma grande surriada.

Não basta só haver posses
Para obter o que intentamos;
É preciso pôr-lhe os meios,
Quando não, atrás ficamos.

O contendor não desprezes
Por fraco, se te investir;
Porque um anão acordado
Mata um gigante a dormir.

Composições Poéticas