sexta-feira, 30 de outubro de 2015

CRAVELHO

 
Reza no dicionário o sinónimo de cravelho: peça grosseira de madeira que gira em torno de um prego ou desliza por uma calha, para fechar portas, janelas, cancelas e postigos. Tramela; Taramela.

 









 "Neste momento desandou ela o cravelho da porteira." (Aquilino Ribeiro, "Volfrâmio")




O nome cravelho, popularmente conhecido por carabelho, tem origem no latim clavicula, "pequena chave".  



Algumas fotos de cravelhos tiradas durante uma viagem a Trás-os-Montes. Mais uma vez, a habilidade e a necessidade criaram uma solução.
 
 
 





Uma das peças mais utilizadas nas portas no espaço rural, o cravelho é comum, não apenas em Trás-os-Montes, mas também no interior do resto do país.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

PORTA Nº 21 - PAÇO DE ARCOS


Na Costa de Lisboa, concelho de Oeiras, junto às praias encontramos a charmosa vila de Paço de Arcos. As ruas pitorescas e a simpática zona histórica  são um polo atrativo para o comércio, restauração e hotelaria.
 
 
E qual é a origem do nome Paço de Arcos? Nesta história entra um rei e um palácio. Conta-se que o Rei D. Manuel I e a sua filha D. Maria, se hospedavam no Palácio dos Arcos, a construção mais destacada da vila, para participar em caçadas na quinta e para assistir à partida das caravelas. Assim, nasceu a toponímia Paço de Arcos onde actualmente o Palácio dos Arcos alberga um hotel.

Paço de Arcos foi também conhecida pelas suas pedreiras, já desativadas, tendo sido elevada a vila no 7 de dezembro de 1926.
 
Nesta vila instalou-se, em 1963, o conhecido estúdio de áudio Valentim de Carvalho que recebeu famosos intérpretes da música portuguesa. Destaca-se ainda a prestigiada Escola Náutica Infante D. Henrique.    


 
 
 
 
Uma das figuras mais emblemáticas de  Paço de Arcos é Patrão Joaquim Lopes, pescador e salva-vidas, conhecido pelos seus salvamentos aos náufragos na barra do Tejo.  
 
Nascido em Olhão, aos 21 anos foi viver para Paço de Arcos. Aqui trabalhou como remador da falua do Bugio, tendo-se  tornado patrão de salva-vidas.

Destacou-se pela sua coragem no salvamento de centenas de pessoas na Barra do  Tejo e no estrangeiro.
 
Pelos feitos corajosos, foi condecorado com a Ordem da Torre e Espada pelo Rei D. Luís, e uma condecoração do governo britânico pelo salvamento da tripulação de duas embarcações inglesas.
 
Morreu em 1890, com 92 anos em Paço de Arcos, tendo tido um funeral nacional organizado pela Marinha.

A biografia de  Joaquim Lopes, "O Homem que venceu o Mar", foi escrita por Antero Nobre. Num excerto publicado  em 2002 no jornal O Olhanense, lia-se:

 
"No dia 24 de Fevereiro de 1862, Joaquim Lopes recebia, na sua pobre casa de Paço d'Arcos, uma visita inesperada e que sobremaneira o honrava. O Rei D. Luís, em pessoa, visitava o patrão do salva-vidas, o humilde "Joaquim da Falua" para felicitá-lo pelo salvamento heroico da tripulação do Almirante! "
 


segunda-feira, 19 de outubro de 2015

MUSEU MILITAR - LISBOA

 


 
Este ano visitei pela primeira vez o Museu Militar de Lisboa que acolhe a importância do património histórico-militar e fiquei agradavelmente surpreendida pelo espólio e esplendor das salas.
 
 
 

O rei D. Manuel I  mandar erigir, onde actualmente se encontra instalado o Museu Militar, umas  edificações designadas por “Tercenas das Portas da Cruz”. Nascem assim as oficinas fabrico da pólvora  e de artilharia e depósitos para guardar e conservar o material de guerra numa época em que esta atividade está concentrada na mão de particulares. Nas Tercenas são também construídos toda a espécie de barcos da época.
 
 
 

 
 
Deve-se aos reis D. João III e D. Sebastião o empenhado esforço de melhoria das tercenas e dos depósitos de armas.
 

 
 
Uma admirável escultura sobre a I Guerra Mundial.
 









Para além da diversidade das peças militares, o Museu destaca-se pela beleza das pinturas e tectos exemplarmente conservados. 





 
 
 
 
 


 


 





Peças de artilharia no interior e  no exterior do Museu.
 




sexta-feira, 9 de outubro de 2015

GREENFEST - 8 a 11 de Outubro - Estoril

Greenfest
Na 8ª Edição, o GREENFEST  traz-nos o maior evento sobre a sustentabilidade nas áreas social, económica e ambiental. 
 
 
 
Venha conhecer as melhores práticas de sustentabilidade, trocar ideias e experiências, participar em oficinas de culinária, palestras. Há ainda espectáculos de dança e música, sugestões para uma vida mais saudável.
 
No espaço da FIARTIL, à frente do Centro de Congresso, poderá conhecer diversas ONG's. 
 
O Greenfest decorre no Centro de Congressos do Estoril entre 8 a 11 de Outubro.
 
 
 
 
Uma festa verde para um MUNDO MELHOR!
 
Venha saber como pode participar na construção de um futuro e de um planeta equilibrado!
 
 
 
 

sábado, 26 de setembro de 2015

CORES DE OUTONO

Chegou o Outono, este ano no dia 23 de Setembro. Um Outono cheio de luz,  de folhas secas a dançar no chão com a brisa fresca.
 
 Como gosto de passear nos jardins com folhas caídas, faz-me lembrar o tempo de criança.
 
As cores de Outono ... amarelo, castanho e vermelho forte. 
  
  
 
Foto: Margarida Rebelo
 
 
E ao entardecer fica uma luz doce e acolhedora que retribui a tranquilidade da realização de uma missão cumprida, mesmo que seja num momento de contemplação.
 
As folhas secas continuam a decorar o chão, e com os últimos raios de luz instala-se um frio discreto que faz apertar o casaco.  
 
 Junto ao rio, com o cântico da brisa entre as folhas das árvores despidas, vagueiam as cores de Outono, amarelo, castanho e vermelho forte.
 
 
Foto: Margarida Rebelo


UM ÓPTIMO OUTONO!



quinta-feira, 24 de setembro de 2015

RENDA DE BILROS

Não se sabe bem quando surgiu a delicada renda de bilros, mas é certo que no século XVII os bilros fazem parte das almofadas cilíndricas das mulheres de Peniche. A conhecida pintora Josefa de Óbidos pintou em diversos dos seus quadros as rendas de bilros, tendo ainda este artesanato marcado presença na Exposição Universal de Paris.
 
             Bilros
 

Feita em diversos pontos do país, destacam-se as rendilheiras de Peniche devido à mestria e esmero que lhe  imprimiram uma perfeição incomparável. 

 
 

Rendas de bilros
Foto: CM Vila do Conde
 
 

Atualmente, a Escola Secundária José Régio em Vila do Conde integra uma disciplina relacionada com a aprendizagem das tradicionais Rendas de Bilros de Vila do Conde no ensino vocacional.  Segundo o diretor, "qualquer escola tem a obrigação de preservar aquilo que faz parte da história da localidade onde está inserida".
 
 leque renda de bilros 3
Foto: Terra Lusa
 
Em Vila do Conde,  o “Museu das Rendas de Bilros”  permite-nos conhecer a história, a técnica de trabalho e os instrumentos utilizados na renda de bilros. As rendilheiras que habilmente preservam esta arte exemplificam aos visitantes a técnica da renda de bilros.   
Foto: http://rendadebirras.blogspot.pt/2009/01/as-minhas-rendas-de-bilros.html
 
 
Foto: Ver Portugal
 
 
 
Uma arte tradicional que merece ser preservada pela sua singularidade e beleza. Uma forma de artesanato que pode ser utilizada em brincos, colares, panos, peças de vestuário ... haja imaginação!
 
 
 
 

 
 


Uma sugestão para as noivas
 
 

 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

CALÇADA PORTUGUESA

 
Tipicamente portuguesa, conhecida por calçada portuguesa ou mosaico português, esta forma de calcetar é feita com pedras de formato irregular.  
 
Utilizada  na pavimentação de passeios, de espaços públicos e espaços privados, é utilizado o calcário, geralmente em  branco e negro, recorrendo a  padrões artísticos muito diversificados.
  
 
Foto: Margarida Rebelo
 
Para além do calcário é também utilizado o basalto, em especial nas ilhas onde abunda esta rocha que, pela sua dureza, dificulta a realização de padrões e motivos estéticos.

Com D. Manuel I é iniciado o calcetamento das ruas de Lisboa. Foi criado, em especial, para acolher a numerosa comitiva, adornada com as riquezas do Oriente, que participava nos festejos do aniversário do rei a 21 de janeiro. Em pleno Inverno, com as ruas sujas, o calcetamento das ruas foi a solução encontrada para evitar que a comitiva ficasse enlameada. Como era a única vez que o rei se apresentava à população nasce a conhecida expressão: "Quando o rei faz anos ...".  
 
Na Praça do Rossio encontramos a primeira grande obra de calçada portuguesa, inspirada no IV  Canto de "Os Lusíadas",  que veio trazer beleza e luz à  cidade lisboeta. Pouco a pouco, o resto do país adaptou este revestimento pedonal que permite criar verdadeiras obras de arte numa aliança entre a funcionalidade e a estética.
 


                            Foto: Agenda Cultural de Lisboa


A calçada portuguesa alargou-se para os países lusófonos, e no  Brasil encontra grande aceitação. O memorável calçadão da Praia de Copacabana é uma das referências mais emblemáticas.
 
                                           Foto: TimeOut Brasil
 
 
 
 
                        Foto: Jornal "O Público"
 
 
Traço característico do património cultural português, a calçada portuguesa apresenta dificuldades de manutenção. Coloca-se a questão da segurança, faltam calceteiros profissionais, mas como qualquer outro pavimento, se  houver uma contínua e cuidada manutenção,  será que se compromete a segurança? 
 
A beleza e o trabalho artístico dos motivos e padrões tornam a calçada portuguesa  uma arte única.
 
Vamos dar um passeio na nossa calçada?
 
 
 
 
 
 
 
Foto: Câmara Municipal de Cascais