sexta-feira, 8 de maio de 2015

VILA VIÇOSA E FLORBELA ESPANCA


Um passeio pelo Alentejo num dia de Primavera radioso e de temperatura amena.
 
Uma paragem em Vila Viçosa e  um recanto do campo num canteiro, com papoilas e cheiro a terra.


 
 
Vila Viçosa, vila encantadora, terra natal de Florbela Espanca. Poetisa alentejana com poemas quase sempre em forma de soneto tem como temas o amor, a solidão, a tristeza,  a saudade, a morte, a sedução. 
 
A ligação apaixonada ao Alentejo ficou registada no soneto: "No meu Alentejo". 

 

"Meio-dia: O sol a prumo cai ardente,
Dourando tudo. Ondeiam nos trigais
D’ouro fulvo, de leve... docemente...
As papoilas sangrentas, sensuais...

Andam asas no ar; e raparigas,
Flores desabrochadas em canteiros,
Mostram por entre o ouro das espigas
Os perfis delicados e trigueiros...
 
Tudo é tranquilo, e casto, e sonhador...
Olhando esta paisagem que é uma tela
De Deus, eu penso então: Onde há pintor,

Onde há artista de saber profundo,
Que possa imaginar coisa mais bela,
Mais delicada e linda neste mundo?!"

 


   
   Este ano num evento da comemoração do Dia da Poesia, ouvi o poema que se segue. Perguntei de quem era e depois de pesquisar, encontrei a felicidade de Florbela Espanca...

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 FELICIDADE











"Olhe que a única maneira de na vida ser feliz, principalmente os seres como você, de uma grande sensibilidade, de uma extraordinária imaginação, a única maneira é construir-se um lar bem doce, bem cheio de luz onde, longe do mundo, onde se possa amar, se possa trabalhar, se possa viver." Correspondência (1920)





 
 
 

quarta-feira, 6 de maio de 2015

CONÍMBRIGA


Discreta, não se fala dela com frequência, embora atraia cerca de 100 mil visitantes por ano, falamos das mais famosas ruínas romanas de Portugal: Conímbriga. 
 



Confesso que há muito tempo que não visito este tesouro arqueológico, perto de Coimbra, classificado como Monumento Nacional, mas é um programa apelativo.

Nesta estação arqueológica romana, destacam-se o Museu Monográfico de Conímbriga com artefactos encontrados nas escavações arqueológicas, a Casa dos Repuxos e uma admirável riqueza de pavimento de mosaicos.




                                                                       Foto: Museu Monográfico de Conímbriga


 


 
 
             





Ao passear por Conímbriga deparamos com uma exemplar conservação das ruínas que nos fazem viajar para um tempo remoto. O início de uma viagem de 700 anos de ocupação romana.
 
 
 
 
  





                        


                                                                                                            
                                                                                              
                                                                                                                              Foto: Museu Monográfico de Conímbriga

segunda-feira, 27 de abril de 2015

PORTA Nº 18 - MONTEMOR-O-NOVO

Montemor situava-se inicialmente na parte interior da muralha do Castelo, original e primitiva  área da urbe.

D. Sancho I concedeu a Montemor o primeiro foral em 1203, e D. Manuel, em 1503. 
 
Na história de Montemor-o-Novo, destacam-se o combate à ocupação castelhana (1580 - 1640), a sua importância durante as invasões francesas (início do século XIX), e a visita de D. Maria II e D. Fernando II em 1843.

A resistência à ditadura e à luta pela liberdade e por melhores condições de vida conferem a Montemor-o-Novo uma posição de atividade e empenho pela causa.

O que pode visitar e ver em Montemor-o-Novo? Os painéis de azulejos que retratam cenas da vida agrícola nas paredes exteriores do Mercado Municipal e o Museu de Arqueologia Igreja Matriz (século. XVII – XVIII). Aprecie o encantador fresco original que reveste a abóbada da nave, o Cine-Teatro Curvo Semedo, o Monumento ao Resistente Anti-Fascista. A Igreja do Calvário diferencia-se pelas paredes e abóbada inteiramente revestidas de azulejos.
 
No Castelo, rosto emblemático da cidade pela sua  apreciável riqueza patrimonial, está localizado  o Centro Interpretativo  do Castelo na Igreja de Santiago e as Ruínas da Igreja de Santa Maria do Bispo (ex-Matriz).
 
 
No campo artístico Montemor  tem contribuido para a divulgação das artes performativas e contemporâneas com espectáculos nas áreas, entre outras, da dança e teatro.
 
  
 
 
Belchior Manuel Curvo Semedo Torres de Sequeira nasceu em Montemor-o-Novo em 1766. 






Poeta português que integrou o movimento Nova Arcádia, também conhecido como Arcádia Olissiponense, reputada academia literária do século XVIII que defende, em particular, a simplicidade da linguagem. Curvo Semedo assume na Arcádia o nome de  Belmiro Transtagano.


Autor de diversos livros, destacam-se os quatro volumes das Composições Poéticas e a  tradução de fábulas de Jean de La Fontaine.
      
                            
 
A LEBRE E A TARTARUGA
       (Fábula)


 
            «Apostemos, disse à lebre
      A tartaruga matreira,
            Que eu chego primeiro ao alvo
         Do que tu, que és tão ligeira!»


         Dado o sinal da partida,
        Estando as duas a par,
      A tartaruga começa
             Lentamente a caminhar.

A lebre tendo vergonha
De correr diante dela,
Tratando uma tal vitória
De peta ou de bagatela,


Deita-se, e dorme o seu pouco;
                         Ergue-se, e põe-se a observar
De que parte corre o vento,
E depois entra a pastar;

Eis deita uma vista de olhos
Sobre a caminhante sorna,
Inda a vê longe da meta,
E a pastar de novo torna.

Olha; e depois que a vê perto,
Começa a sua carreira;
Mas então apressa os passos
A tartaruga matreira.

À meta chega primeiro,
Apanha o prémio apressada,
Pregando à lebre vencida
Uma grande surriada.

Não basta só haver posses
Para obter o que intentamos;
É preciso pôr-lhe os meios,
Quando não, atrás ficamos.

O contendor não desprezes
Por fraco, se te investir;
Porque um anão acordado
Mata um gigante a dormir.

Composições Poéticas

 



quinta-feira, 23 de abril de 2015

DIA MUNDIAL DO LIVRO E DO DIREITO DE AUTOR

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Comemorado desde 1996 e por decisão da  UNESCO para estimular o prazer da leitura, a publicação de livros e a protecção dos direitos de autor, foi instituido o  dia 23 de Abril para comemorar o Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor ( conhecido como Dia Mundial do Livro).


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E porque foi escolhido o dia 23 de abril?

Foi nesta data, no ano de 1616, que faleceram Miguel de Cervantes, William Shakespeare e Garcilaso de la Vega . Foi nesta data, em diferentes anos que também nasceram ou morreram outros destacados  escritores:  Manuel Mejía Vallejo,  Maurice Druon, Josep Pla. Vladimir Nabokov.


A tradição de trocar uma rosa por um livro teve origem na Catalunha a 23 de abril, dia de São Jorge. Esta tradição já se alargou a diversos países.


Hoje já leu? Experimente, nem que seja uma página. Troque a televisão, a internet, os jogos por um livro, coloque uma música relaxante e saboreie as palavras.



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QUAL É A IMPORTÂNCIA DOS LIVROS?

Transformam as pessoas, são amigos do conhecimento, trazem beleza, alegria, fazem-nos compreender melhor a nós próprios e o mundo. Fazem-nos pensar e ter espírito crítico. E claro, levam-nos a viajar! 


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segunda-feira, 13 de abril de 2015

" O CÉU VISTO DA TERRA" - Astrofotografia

 

Levantar os olhos e ver o céu, a Via Láctea, estrelas, poeira estelar, nebulosas, gases, um desafio à imaginação. A exposição "O céu visto da Terra" no Planetário Calouste Gulbenkian - Centro Ciência Viva,  patente de 24 de Fevereiro a 10 de Maio, oferece imagens desse mundo celeste maravilhoso.
 
 
 

 
A exposição, com entrada gratuita, tem 28 fotografias de grande formato que atestam a beleza do céu.
 
As fotografias são do astrofotografo Miguel Claro especializado em "paisagens astronómicas" e premiado internacionalmente. 



 
 
 
Da próxima vez que olhar para o céu terá outra perspectiva!
 

 
uste GulbenkCentro Ciência Viva com o apoio do Centro de

 

quinta-feira, 2 de abril de 2015

SEBASTIÃO SALGADO - "GENESIS"

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De 10 de abril a 2 de agosto, estará patente na Cordoaria Nacional, em Lisboa, a exposição do conhecido fotógrafo Sebastião Salgado. 



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Génesis, projeto que remonta a 2004, é uma exposição composta por 245 fotografias, a preto e branco, de grande formato.


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A exposição retrata a beleza e a singularidade dos locais e pessoas que ainda resistem ao tempo num planeta ameaçado. É, também, uma afetuosa e entusiasta homenagem ao nosso planeta que merece e precisa de ser protegido e cuidado.

sexta-feira, 27 de março de 2015

PORTA Nº 17 - PORTIMÃO


Se  o turismo é a principal actividade de desenvolvimento económico de Portimão, esta cidade algarvia  com intensa presença romana e árabe,  destacou-se nos Descobrimentos. Assim, a partir do século XV, conhecida como Vila Nova de Portimão, com a expansão comercial portuguesa, desenvolve-se como núcleo urbano.  
 
A localização geográfica promoveu um aliciante intercâmbio comercial e cultural entre o Mediterrâneo, o Atlântico e o Norte de África.

No entanto, com o terramoto de 1755, sofreu graves estragos e esta cidade viveu um período de retrocesso, que seria completamente ultrapassada no século XIX, com o florescimento das indústrias ligadas à exportação de frutos secos, pesca e, em especial, com a indústria conserveira.

Em 1924, Portimão é elevada a cidade. 
 
Sabia que o Presidente da República Manuel Teixeira-Gomes, escritor, diplomata em Londres, era natural de Portimão?
 
O Museu de Portimão, antiga fábrica conserveira, é um dos polos de visita  da cidade, para além da Casa Manuel Teixeira-Gomes, das praias e das ruas típicas. A cidade conta ainda com um agradável e simpático Teatro - Teatro Municipal de Portimão.


 
De Manuel Teixeira-Gomes ficam duas citações:
 
"A política longe de me oferecer encantos ou compensações converteu-se para mim, talvez por exagerada sensibilidade minha, num sacrifício inglório. Dia a dia, vejo desfolhar, de uma imaginária jarra de cristal, as minhas ilusões políticas. Sinto uma necessidade, porventura fisiológica, de voltar às minhas preferências, às minhas cadeiras e aos meus livros."
 
"A acção educadora de uma obra de arte verdadeira é sempre efectiva , e exigir do artista obra de utilidade imediata equivale, muitas vezes, a cortar-lhe as asas." Carta a Manuel Mendes, Bône, 03-12-1930